Coluninha indiscreta. Por Carlos Pinheiro.


Devagar, quase chegando, o Bispo baiano para Caruaru.
Dizem que o Papa Xico Argentino, há mais de um ano, teria telefonado pra Bahia e determinado que frei Ruy Lopes fosse imediatamente assumir a Diocese de Caruaru.
– Meu Véi, pra que tanta pressa? – perguntou Ruy com Y. Onde já se viu baiano chamado Ruy com Y e com pressa? Até se pensou que na terra de Jorge Amado só existissem bispo do candomblé.
– Se avexe, senão toco fogo no seu traseiro quais vocês fazem com o rabo de jumento preguiçoso. – teria ameaçado o poderoso chefe da igreja.
– Oxente! Tô chegando, Meu Rei – teria dito Ruy com Y, desligando o telefone e desatado a rede do alpendre onde dormia. E começou a caminhada até Caruaru, mas, no caminho, parou para ouvir o forró e conhecer a nossa gente, por isso levou mais de ano para aqui chegar, mesmo carregando o peso do ípsilon de seu nome.
Esta Coluninha dá as boas vindas ao novo bispo, mas faz três exigências para que o bispo Ruy, com Y, se instale em Caruaru: Primeiro, que mantenha no posto de divulgador da Diocese o Douglas da Catedral. Segundo, que impeça a favelização do Monte do Bom Jesus e que, junto com a Prefeitura, faça projeto para erradicar a favela, transferindo-a para outro local os moradores do Monte com a proteção do Minha Casa, Minha vida, para que tenham endereço com nome de ruas e número de casa e que se livrem do sacrifício de subir e descer ladeira. E, por último, que arranque todas as antenas que enfeiam o Monte e, como sugestão, lembramos que nas Rendeiras temos um Montinho onde cabem todas e outras antenas, sem prejuízo de comunicação e salvando o nosso cartão postal que, de tanto ser invadido, quase não se vê a igrejinha de Santa Luzia.
Que Ruy, com Y, seja bem vindo e que seja mais um a se apaixonar por Caruaru e que não corte nossas palmeiras, que lute pela limpeza de nosso Ipojuca, que acolha os abandonados e os proteja do frio e da chuva, que olhe por nossas crianças e que dê aquelas destacadas no saber, bolsa de estudos gratuitas na rede escolar de propriedade da diocese, que não esqueça que o Monte do Bom Jesus é nosso cartão postal tão importante quanto os símbolos geográficos de Salvador.
Só não o apressem, lembrem-se de que o homem é baiano, tem cara parecida com João Melo, o engenheiro pai, e, por isso, deve ser gente boa.
Ronaldo Melo, contabilista e fiel frequentador de missas na catedral, procurou o pároco e perguntou se poderia sentar numa das mais de mil cadeiras colocadas no asfalto em frente à Matriz para solenidade de recebimento de Ruy, com Y.

  • Oxe. Claro que não. Ali é lugar para autoridades e convidados e você não é uma coisa nem outra. – disse o padre, deixando revoltado e indignado o nosso motoqueiro católico. Bem feito. Se tivesse ido ao Amaro’s não teria passado por essa. Quá, quá, quá.
    Vê se pode?!

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