Para Humberto, operação contra fake news golpeia milícia digital e aproxima Bolsonaro do impeachment

Após a realização, nesta quarta-feira (27), de uma operação da Polícia Federal contra uma rede criminosa de fake news montada no país, o senador Humberto Costa (PT-PE) disse que a investigação, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), vai ajudar a desmoronar uma das principais redes de sustentação do presidente Jair Bolsonaro e o aproximam do impeachment. Para ele, o bolsonarismo vem promovendo um verdadeiro linchamento de reputações e instituições na tentativa de inibir todos aqueles que, de alguma maneira, se colocam contra os interesses do presidente e dos seus aliados.  

“É visível a ligação desses criminosos com o presidente Bolsonaro. Essas milícias digitais são compostas por declarados apoiadores seus. Qualquer um que se interponha entre ele e seus objetivos é vítima de mentirias e de um grande ataque digital. Já foram vítimas desse tipo de ação personalidades, parlamentares, prefeitos, governadores e instituições como o STF e o Congresso Nacional. Esse tipo de ação é inaceitável, é incondizente com a democracia e viola garantias da nossa Constituição. A ação da Polícia Federal ajuda a desbaratar esse grupo criminoso que tem assassinado reputações e propagado ódio”, afirmou o senador.

Integrante da CPMI das Fake News, o senador diz que o Congresso Nacional também está determinado a fazer uma apuração rigorosa das ações da milícia digital. “O Congresso Nacional e o STF estão unidos para apurar todas essas ações criminosas e responsabilizar todos os que promovem notícias falsas. Comprovando as acusações, vamos iniciar os processos no Conselho de Ética dos parlamentares envolvidos na ação, dos quais já pedi que sejam afastados dos trabalhos da comissão. Vamos agir pela cassação dos que não souberam honrar o voto que lhes foi dado pela população brasileira”, afirmou.  

Humberto lembrou que os ataques iniciaram ainda na campanha eleitoral de 2018. “Essa prática já vem de algum tempo. O auge dessa ação aconteceu na disputa presidencial. Essas milícias divulgaram mentiras, ataques, calúnias. Quem não lembra de farsas como a do chamado Kit Gay? Foi com esse tipo de fraude que Jair Bolsonaro ganhou a eleição, beneficiado pelo trabalho de uma rede criminosa digital”, afirmou. O senador, no entanto, estranhou a ausência de ações da PF contra o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, tido com o principal coordenador do gabinete do ódio.  

“Nessa operação de hoje estão figuras conhecidas por sua participação nas milícias digitais. São empresários que financiam sites propagadores de notícias falsas e parlamentares da base de apoio. O vereador Carlos Bolsonaro, no entanto, não apareceu entre os alvos da investigação, mas certamente ele, que já foi acusado pela PF de ser um dos grandes responsáveis por essa redes digitais, deverá ser objeto de ação”, analisou.

Na operação realizada hoje, a Polícia Federal cumpriu pelo menos 29 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos, estavam o ex-deputado Roberto Jefferson, o empresário Luciano Hang, dono da Havan, militantes bolsonaristas e integrantes do governo Bolsonaro. Todos são investigados por financiar ou divulgar notícias falsas e ataques ao Supremo Tribunal Federal. Deputados federais como Bia Kicis (PSL-DF), Carla Zambelli (PSL-SP), Filipe Barros (PSL-PR), entre outros, também são investigados no inquérito.

Comentários do Facebook