Cachaceiros x Malucos.

Por Carlos Pinheiro.

No maior teatro do absurdo político um presidiário condenado por corrupção concede entrevista diretamente da cadeia se dizendo inocente, jurando vingança contra o juiz e a promotoria e, para delírio de sua plateia histérica, acusa o governo de ser composto por “Um bando de Malucos”.

            Ai a plebe debocha, escracha no riso, um lado do teatro vibra à espera da réplica do presidente maluco contra o ex-presidente cachaceiro, provocador.

             “Não se devia servir cachaça na cadeia, mas parece que serviram. E é melhor um governo de malucos do que um governo de corruptos”. – defende-se o presidente, descendo do pedestal supremo do cargo para responder a um embusteiro. Maluco só porque no governo dele tem uma mulher que diz ter ensinado a Jesus Cristo trepar numa goiabeira, enquanto ex-ministros do Cachaceiro estão presos ou a caminho da prisão. – daí novo delírio da plateia do teatro das acusações entre espadachins de palavras ferinas.

            “E Viva a doideira do Povo Brasileiro”! – grita na arquibancada um torcedor sem causa definida, lembrando Millôr Fernandes:

 “Nunca se viu no mundo um bando de cachaceiros invadindo outro país para subjugar outros cachaceiros”. Aí fica difícil segurar a turba ignara querendo se digladiar em luta dos malucos contra os cachaceiros. E todos brigam com razão. Afinal, nessa briga, convém assistir ao teatro nos camarotes dos cachaceiros anônimos pulando amarelinhas sem riscos no chão com os maluquinhos.

              “Deixa estar pra ver como é que fica, ou não fica. Mas se ficar que fique, porque quem está dentro é porque não está fora e vice versa”. – diz senhora da bunda grande e cérebro pequeno.

            E passa no meio do povo um vendedor de picolé de manga que alguns compram e saboreiam pelo ouvido enquanto outros compram de outro vendedor latinha de cachaça gelada e ainda exige limão. Da donde já se viu vender limão em espetáculos teatrais?

            “Vejo tudo meio maluco! Parecem bêbados” – grita um ceguinho vestindo roxo, arrastado que foi pela multidão desocupada quando cruzava o sinal vermelho. Por sorte escapou de ser atropelado, mas está quase sufocado pela multidão que o joga do lado dos cachaceiros para o lado dos malucos, ou vice-versa, pois tanto faz. “Do jeito que vai se for fica onde está, ou volta para aonde não estava” – volta a relinchar aquela senhora de frases ininteligíveis, burras.

            Ufa! – grita a plateia impaciente. Quando vocês vão parar com esse teatro mambembe? – perguntam aos atores que não respondem, pois os malucos continuam malucando e os cachaceiros não param de beber, nem quando presos.

Vê se pode?

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