Capital do Forró, origem e significados

Por Professor José Urbano

Estamos ás vésperas do ciclo junino na edição 2019. E novamente o clima festivo começa a tomar conta da cidade. E da região também!
Na beleza dos versos de Jorge de Altinho, produzidos no ano de mil novecentos e oitenta e gravados pelo Trio Nordestino no LP que celebra os 20 anos de carreira do seleto grupo, está registrado em forma musical o que na realidade é também uma descrição jornalística do nosso evento maior.
Peço licença poética ao querido Jorge para transcrever os seus versos:
quem nunca foi, já ouviu falar / se você for, vai gostar / quem já foi, volta sempre lá / para dançar forró no arraía! Nesse verso, temos um convite primoroso para quem conhece ou não o nosso potencial cultural, tipo foi não? Então vá. Já foi? Volte. |Isso é mobilidade, hoje palavra em moda, porém desconhecida nos anos 80.


Trinta dias antes do São João, já tem: decoração, milho verde na feira, a terra molhada, o bacamarteiro em ação, a ronqueira em ajuste, a moça faz novos vestidos, a senhora cuida da fogueira, a imprensa já pelas ruas…e haja nordestinidade!
Na noite junina, vindo para cidade, o céu vira um clarão, o colorido dos balões (hoje já em desuso)
a opção de mais de 15 palhoções, onde pessoas dançam até o amanhecer, e os bigodudos dançarinos fazem um bailado original com suas damas que capricham nos penteados.
Reginaldo Lins, na época empresário do grupo e publicitário, também foi citado na gravação original.


O que seria apenas um refrão, tornou-se um slogan de Caruaru. Governos que passaram e diversos modelos de gestão da grande festa, nenhum deles teve a ousadia de omitir ou alterar essa marca, seja pela elegância do termo, ou ainda pelo gosto da população em ser ver como parte integrante da

Capital do Forró!


Na década que trabalhei em parceria com o jornalista Herlon Cavalcanti na apresentação do programa Sábado Cultural, certa vez me surgiu uma curiosidade: um ouvinte ligou e pediu para ouvir a referida música na voz de Luiz Gonzaga. Mas o detalhe que ele não sabia é que seu Luiz nunca gravou essa canção, infelizmente. Preferiu manter a originalidade do Trio Nordestino. O próprio compositor, valioso poeta e intérprete, só gravou essa música na década de 2.000.


Desconheço que outra música tenha sido tão emblemática para uma cidade do que essa em questão. Mesmo que passemos horas no debate, não esgotaríamos a análise desse tema, que tem como princípio ser uma narrativa de uma marca cultural da nossa sociedade.
Contagem regressiva, a cidade se veste de colorido e alegrias, a cultura em evidência, na rua e na roça, a religiosidade se apresenta, abram as porteiras nordestinas, o cenário está pronto, sejam bem vindos à Caruaru, a Capital do Forró!


Obrigado, Jorge de Altinho e o Trio Nordestino, pela bela homenagem.

Comentários do Facebook