Caruaru por paixão

O tema do projeto cultural 2019 para as atividades da Semana Santa aqui em Caruaru, é puro bom gosto!
Caruaru está inserida no roteiro do espetáculo da Paixão de Cristo, desde os anos 70. Lembro-me da minha infância, quando a cidade ainda com ares interioranos, assistia uma melhora considerável no fluxo de turistas que tomavam o rumo de Fazenda Nova, para assistir o formidável espetáculo de cunho religioso e histórico. A parada em Caruaru já era certeira, começando por visita ao espaço de cultura popular Luísa Maciel.
A feira de artesanato ocupava espaços na rua XV de novembro, bem no coração da cidade.


Na minha curiosidade infantil, achava muito interessante ver aqueles turistas, homens e mulheres, com traços genéticos muito diferentes da nossa comunidade: alemães, franceses, italianos, americanos, portugueses e uma infinidade de nacionalidades percorriam nossa feira cultural, eles com seu biótipo de pele muito clara, olhos azuis, estatura acima de um metro e oitenta, enfim, na minha imaginação infantil, pareciam gente do outro mundo, e eram mesmo, pelo menos do outro lado do mundo!


No início dos anos 80, a feira de artesanato ganhou merecido espaço próprio, local onde está até hoje. E foi se qualificando em atendimento, instalações e oferta de produtos artesanais. A celebração da páscoa é o ponto alto do processo.
Para lá convergem por uma semana os principais fazedores de cultura popular e artesanato.


Nas lembranças, nomes folclóricos como Leonel do Samba, com seu pandeiro e irreverência, improvisava versos nos mais variados temas. Sr. Cassimiro, comandante de um batalhão de bacamarteiros, impressionava com a desenvoltura e coreografia com o seu bacamarte. Os turistas sempre os confundiam com cangaceiros – ingênuo engano – já que bacamarteiros foram combatentes na guerra contra o Paraguai, mais de meio século antes das peripécias do Lampião, personagem maior do cangaço nordestino. Bandas de pífanos garantiam a trilha sonora na feira, cordelistas se reuniam na barraca do sr. Cristovão, que propagava ter a “legítima certidão de nascimento de Lampião”…ouvi muitas vezes essa afirmação, enquanto degustava caldo de cana, no burburinho do referido espaço artesanal.
Voltando ao presente, Caruaru está consolidada pelo rol de eventos neste período. Os polos da Feira de Artesanato, Alto do Moura, Estação Ferroviária e Morro do Bom Jesus ofertam para turistas e conterrâneos, vasta programação que envolve várias linguagens. Outro acerto que agradou em cheio foi o formato de contratação artística, através de edital da Fundação de Cultura. Prevalece a técnica, impessoalidade e potencial artístico! Inovador modelo de gestão da prefeita Raquel Lyra e equipe.
Somando tradições religiosas, cultura popular, artesanato, história e educação, a sociedade avança, pelos democráticos caminhos do fazer cultural.


Nos palcos ou nas praças, famosos ou anônimos, mestres ou discípulos, é a gente do agreste que mais uma vez dará ênfase a nossa marca de fazedores culturais, sob o slogan Caruaru por paixão.

Prof. José Urbano

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