Irmão de Eduardo Campos é nomeado no governo Bolsonaro

Do Blog do Magno

Nomeado, hoje, pelo presidente Jair Bolsonaro para presidir a Fundação Joaquim Nabuco, o advogado Antônio Campos, irmão do ex-governador Eduardo Campos, afirma,  nesta entrevista exclusiva ao blog, que trabalhará para devolver à instituição o valoroso papel que teve no passado no cenário da cultura e educação. “A Fundaj voltará a ter o protagonismo do passado”, promete. Campos revela que sua indicação partiu do líder do Governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho. Eis sua entrevista:

Como você está vendo o atual momento politico do país?

Precisamos ajudar o Governo Bolsonaro a dar certo. O Brasil não pode perder mais tempo. Precisamos construir um pacto pelo Brasil, por meio de uma agenda mínima nacional.

Como ver o contingenciamento das verbas para educação?

É um contingenciamento provisório, que poderá ser revisto. A União é obrigada aplicar no mínimo 18% dos impostos arrecadados em educação, municípios e Distrito Federal 25%. As políticas sociais e a educação estão condicionadas pela vigência da Emenda Constitucional 95/2016, que congelou os recursos das áreas sociais por cerca de 20 anos. É uma medida estruturante, que merece ser repensada, que condiciona a agenda educacional, limitando o investimento público. Essa é a causa central de cortes ou contingenciamentos, anterior ao atual governo. De 2016 a 2018, as despesas primárias do MEC, após a vigência do teto de gastos foram reduzidos em 11 bilhões. E somente agora assistimos questionamentos.

Você é um homem ligado a cultura, qual sua ideia e seus planos para a Fundação Joaquim Nabuco?

Fazer gestão e governança, abrindo o diálogo com os servidores e a sociedade. Priorizar alguns temas centrais. O maior desafio do Brasil é a qualidade da educação pública. Ser um polo de fomento e apoio às políticas de aplicação de recursos em educação no Nordeste, através de pesquisas e treinamento e capacitação dos gestores municipais, ter uma agenda cultural e social de relevância. A Fundaj voltar a ter o protagonismo que já teve no passado, nas políticas sociais do Nordeste, inclusive auxiliando a elaboração e execução do Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste, que está sendo liderado pela Sudene.

Como se deu sua escolha para presidir essa importante instituição? Foi indicação política ou técnica?

Alguns chamam o meu perfil de tecnolítico. Tenho formação técnica em Direito, advogado militante com mais de 25 anos de intensa atuação. Todos conhecem também a minha militância no setor cultural, sobretudo na literatura. Também venho de uma família política, como é de amplo conhecimento. Em todo caso, isso tudo nos dá experiência, maturidade e crescimento existencial. Voltando à Fundaj, fui criado nessa instituição, pois o meu pai, Maximiano Campos, dedicou sua vida inteira à Fundaj. Portanto, tenho uma ligação profunda com a Instituição. Foi nesse contexto que recebi a convocação do Ministro Abraham Weintraub, quando o mesmo me convidou para uma longa conversa, após ter havido uma lembrança do meu nome por parte do Senador Fernando Bezerra Coelho, líder do Governo. Depois refleti muito, conversei com amigos intelectuais, pesquisadores e políticos, após ter recebido o convite para assumir o desafio de presidir a Fundaj, que assumo com grande responsabilidade e vontade de servir.

Como os outros órgãos que estudam o desenvolvimento do Nordeste, como a Sudene, BnB, IBGE e a Chesf, podem ajudar a Fundaj a ter mais recursos para investir na Região?

Iremos fazer e ampliar parcerias com órgãos públicos e privados. Fortalecer parcerias com o FNDE, a Sudene, o BNB, o IBGE, as universidades. Prestar uma consultoria permanente ao FNDE, em pesquisas e na formação de gestores, para boa aplicação dos recursos da educação.

O Governo está cortando despesas como vai ficar a situação da Fundaj nesse contexto?

No cenário de crise que o Brasil enfrenta, a Fundação também fará alguns ajustes no que puder enxugar, sem comprometer a qualidade dos serviços e trabalhos, buscando o equilíbrio.

O senhor está chegando na Fundação agora, comenta-se que a Fundação tem excessos de funcionários, o Senhor admite que terá que fazer cortes na Fundação?

Faremos alguns ajustes, após levantamentos, estudos e planejamentos.

O senhor é um quadro respeitado intelectualmente em Pernambuco e no Brasil, como o senhor pode acoplar esse conhecimento e sua relação com o setor cultural do Brasil para tornar a Fundaj mais conhecida e internacionalizada?

Iremos focar o desenvolvimento regional, inclusive interiorização. Também um dos focos do nosso trabalho será internacionalizar ainda mais a Fundação, que já tem vários termos de cooperação internacionais, buscando conhecimento e recursos. Iremos ampliar essas parcerias sem gerar despesas adicionais, trazendo mais conhecimento para o Nordeste.

Como a Fundaj, na área de pesquisa, pode ajudar na boa aplicação dos recursos da Educação no Norte e Nordeste?

Como uma entidade também de pesquisa auxiliar e acompanhar a aplicação dos recursos da educação no Nordeste.

Quais as suas primeiras medidas o senhor vai tomar após sua posse?

Meu primeiro ato será uma reunião e ouvir os servidores da casa e o meu gabinete estará sempre pronto para receber os servidores e visitantes, num clima de diálogo e muito trabalho. Além do foco em desenvolvimento regional e internacionalizar ainda mais a Fundação e ser um instrumento em pesquisa de apoio a boa aplicação dos recursos em educação do MEC, pretendemos interiorizar algumas ações da Fundação. Nos seus 70 anos, a Fundaj voltará a ter o protagonismo em políticas públicas no Nordeste, uma agenda cultural de qualidade, bem como o foco educacional, que não pode perder de vista.

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