O lucro, as pessoas e as tragédias

Auto: professor Urbano

Episódio que tomou dimensões catastróficas e de repercussão na imprensa mundial, o desastre ocorrido na semana passada no estado de Minas Gerais, não pode ser classificado como um acaso, pois não foi um desastre ambiental como fenômeno da natureza, mas sim uma ação decorrente da irresponsabilidade da empresa que prioriza o lucro, em detrimento das vidas que se perderam nessa tragédia.

É a repetição do que o Brasil viveu em 2015, portanto não houve punições e a impunidade favoreceu o que ocorreu. Irmãos brasileiros vitimados por um mar de lama que soterra a ética, a moral e a cidadania.
Os desdobramentos no tocante ao socorro das vítimas e lamentavelmente a centenas de mortos, só aconteceu depois de um choque inicial, na linguagem mais jovem, quando “caiu a ficha”.

Nas primeiras horas, houve um sentido de que não era verdade, e não teria maiores consequências além de algum impacto ambiental. Nos momentos seguintes, pessoas em busca dos seus parentes, a hora da pausa para refeições, centenas no restaurante naquele momento, e o referido espaço alimentar não estava mais na paisagem…arrepios, negação transformada em medo, e a constatação da realidade fúnebre.

O jornalismo dinâmico e atento, apontou câmeras, microfones, drones e blogueiros para Brumadinho, e alimentou a mídia em cada instante, a cada novo episódio.

Momentos antes de produzir esse artigo, li alguns depoimentos bem como currículos das vítimas. Notícias mais recentes nos trazem relatos de parentes, agora órfãos.

Não consegui ver todos, é muito impactante tantos jovens dinâmicos, capacitados, sonhadores, apaixonados pela vida terem seus planos interrompidos tão abruptamente.
Os impactos ambientais levarão décadas ou séculos para serem contornados. Uma guerra jurídica já teve início, em busca de identificar e punir os culpados…mas esse roteiro já vimos em 2015 sobre o mesmo tema, quando do ocorrido pela irresponsabilidade da mesma empresa.

Qual punição houve? Quais correções foram executadas? Pelo visto, nada de efetiva resolução, o que, claro, só favoreceu essa catástrofe.
De meias desculpas, a sociedade brasileira já vive cheia.

Enquanto os holofotes da mídia estiveram acessos, cada um dos envolvidos ocupará espaços na mídia, prometendo isso e aquilo, indenizar famílias, reconstruir, fiscalizar, cobrar do poder público e trololó e blá blá blá.

Em temas como esses, sou devoto de São Tomé: só acredito, vendo.
É brasileira a frase que diz: quando o dinheiro fala (e a Vale tem bilhões) a verdade se cala.
Até quando assistiremos esse nefasto teatro do faz de conta que cuido, tu faz de conta que planeja e obedece?
Perdemos parte do equilíbrio ambiental daquela região, e muito mais do que isso, o Brasil perdeu 3 centenas de filhos e filhas que dedicavam tempo e talento para a dignidade dessa nação.
Essa ausência é irreparável. Foram vítimas da ambição pelo vil metal.

Chorai por vossos filhos, ó pátria amada.

Que hajam punições severas, para que essa tragédia jamais se repita.

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