O último adeus!

Conheci o professor Carlos Amaral no fim dos anos 80, quando eu era estagiário do curso de administração e trabalhei no INP, órgão municipal de pensões e assistência médica aos servidores da prefeitura de Caruaru.

Claramente recordo a primeira vez que o o vi: ele estacionou uma Parati vermelha na frente do prédio, e se dirigiu ao atendimento. Mas não foi marcar uma consulta, mas sim nos propôs uma reunião com os funcionários a fim de apresentar um projeto de uma associação de servidores e futuramente um sindicato.

Foi meu primeiro contato com o tema sindical, e chamou minha atenção a forma polida e didática do referido profissional.

Os anos foram passando e todos nós pudemos conhecer o crescimento intelectual e social do cidadão Carlos Amaral. Inteligente, eloquente, equilibrado, memorialista, dinâmico nas opiniões, excelente observador social…esses e outros adjetivos servem para revestir o perfil desse qualificado fazedor de educação.

Na última década, tivemos uma aproximação maior, a partir de nossas participações na imprensa, seja nas rádios, emissoras de TVs ou mesmo em redes sociais.

A política, tão complexa e impopular, era uma praia onde Carlão surfava com absoluta maestria. Assim como na esfera sindical, ocupando cargos com plena altivez, não pela autopromoção, mas pela vocação de fazer pela sociedade. Viajamos juntos para promover cultura popular em sala de aula. Mais aprendi do que ensinei.

Nos bastidores, excelentes detalhes da história de Caruaru, vividas por ele, em excelentes narrativas.

Quando soube que estava enfermo, quis visitá-lo, mas não foi possível. Semanas após o encontrei, um pouco debilitado, mas com o mesmo sorriso sincero, a voz empostada, e o otimismo que era peculiar. Minimizou o diagnóstico, e se mostrou renovado e projetado para o futuro.

Numa das vezes, lhe disse da minha honra de ser amigo dele, pelos valores humanos, e a primorosa inteligência que possuia. Ele marejou os olhos, abriu um sorriso e respondeu: não sei se escolhi a educação, é uma missão que devo cumprir!
E o faz com excelência, repliquei!
Nós fazemos, ele concluiu
Bondade com palavras, era outra marca dele.

A “missão” ele concluiu hoje. E entra na dimensão da eternidade, do país de Caruaru, onde estão Condés, Barbalho, Vitalino, Austregésilo, Álvaro, Miranda, Ludugero e outros tantos eternos.
Um abraço fraterno, parabéns pela missão, aplausos por tudo que nos proporcionou.
Pelo seu exemplo, continuaremos avançando pelo fazer educacional. Obrigado, ao mestre e amigo Carlão, com carinho e admiração.

Prof José Urbano

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